segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Casada Infiel

A Lydia Cabrera e a sua negrinha
E eu que fui levá-la ao rio
Certo de que era donzela,
Mas bem que tinha marido.
Foi a noite de São Tiago
E quase por compromisso.
As lâmpadas se apagaram
E se acenderam os grilos.
Já nas últimas esquinas
Toquei seus peitos dormidos,
Que de pronto se me abriram
Como ramos de jacinto.
A goma de sua anágua
Vinha ranger-me no ouvido
Como seda que dez facas
Rasgassem em pedacinhos.
Sem luz de prata nas copas
As árvores têm crescido
E um horizonte de cães
Ladra bem longe do rio
Após franqueadas as brenhas,
Franqueados juncos e espinhos,
Por baixo de seus cabelos
Fiz um ninho sobre o limo.
Eu tirei minha gravata.
Ela tirou seu vestido.
Eu, cinturão e revolver.
Ela, seus quatro corpinhos.
Nem nardos nem caracóis
Têm cútis com tanto viço,
Nem os cristais sob a lua
Alumbram com igual brilho.
Sua coxas me escapavam
Como peixes surpreendidos,
Metade cheias de lume,
Metade cheias de frio.
Galopei naquela noite
Pelo melhor dos caminhos,
Montado em potra nácar
Sem rédeas e sem estribos.
As coisas que ela me disse,
Por ser homem não repito
Faz a luz do entendimento
Que eu seja assim comedido.
Suja de beijos e areia,
Eu levei-a então do rio.
Contra o vento se batiam
As baionetas dos lírios
Portei-me como quem sou.
Como gitano legítimo.
Dei-lhe cesta de costura,
Grande, de cetim palhiço,
E não quis enamorar-me,
Pois ela, tendo marido,
Me disse que era donzela
Quando eu a levava ao rio.
Federico Garcia Lorca

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Papaverum Millôr!!!

Terminei de ler um livro muito bom do Millôr!O Papaverum Millôr. Poesias simples e encantadoramente satíricas!

Poesia com lamentação com local de nascimento

Tudo que eu digo, acreditem,
Teria mais solidez,
Se em vez de carioquinha,
Eu fosse um velho chinês.
~

Luta de Classe

Estava o rei lavando os pratos
Depois de enxugar os garfos.
A rainha dava trato aos móveis
Vasculhava a sala, a copa e o salão
Deixando aos principezinhos a tarefa
De encerar o chão
Enquanto a criada na varanda
Deitada numa rede de fina contextura
Lia um livro de aventura
Quando entrou um rei vizinho
De um reinado bem maior
E bem baixinho, bem baixinho
Ofereceu à criada
Um emprego melhor.
~


Maturidade

O desenvolvimento
cerebral
Nunca se compara
ao abdominal.
~

Branca de Neve vinte anos depois

Uma coisa é patente;
Não fazem mais espelhos
Como antigamente.
~

Haverá alguém no mundo capaz de controlar perfeitamente as torneiras do chuveiro a fim de que este dê água na morna temperatura que sonhamos?

Eu não.
Ou me pelo
Ou me gelo.
~


Canção da única (e essencial) superioridade do urubu sobre o galo

O galo canta de euforia
O urubu apenas chem-chemia
O urubu é negro
É da magia
O galo é aberto
É da porfia

O galo come milho
O urubu, esterco.
O urubu é preto
O galo é colorido
Álacre, alegre, zombeteiro
Extrovertido e sensual
Sultão de mil galinhas
Decorativo, vaidoso,
Pensa que o sol desponta
Para ouvi-lo

Mas na hora da fome
O urubu, irmão,
Ninguém come.
~

Poesia Polar

Limpando o suor da fronte
O esquimó olha o horizonte
“Vão dizer que exagero
Mas a temperatura hoje
Deve estar a mais de zero”
~

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

I
Confira
tudo querespira
conspira
II
Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso
III
Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Ele bebe?"
"Não"
"Ele fuma"
"Não"
"O problema dele é o banheiro"

domingo, 25 de outubro de 2009

Lascivo


Suor escorrendo no peito
Sangue lavando o rosto
E tudo que tenha feito
Parece não ser ao Seu gosto

Feições de agonia e dor
Olhar de melancolia e piedade
Eu olhando com rancor
Esse poço de lascividade

Vejo meu corpo moribundo
Belo na flor da idade
Do oriente médio oriundo

Percepção amorosa de Sade
Faz meu corpo enrijecer
Preso aos prazeres desse mundo
Thiago Alves

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mascarada


Recentemento fui presenteado por um amigo (nosso íncrivel João Antônio) com um livro chamado "Mascarada" do escritor campineiro Carlos Vogt, mas acabei deixando de canto. Hoje percebe o quanto demorei para devorar essa obra fabulosa com poesias diretas porém significativas. Agora dividirei um pouco com vcs!


Vagabundagem

Para sempre o sonho
o sonho de amor eterno
é cênico fílmico tríplico:
Começa no sorvete
termina no Carlitos



Faz de Conta

O poeta cigarreiro
quando chega violentas as águas curtas
de setembro
lembram as coleções de maços vazios
nos bolsos das calças turvas
dobrados como dinheiro

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cenas Clássicas do cinema em Lego

Encontrei um site muito interessante em que famosas cenas dos clássicos do cinema foram reproduzidos em Lego!!!
Muito interessante!!Vejam aí!






A noiva de Frankestein

Pulp Fiction

Casablanca

Edward Mãos de Tesoura

Sherlock Holmes